Visão cristã
  
 
 

O Autor da salvação

Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, Bispo e doutor da Igreja:

 

Aquele que escutou atentamente o evangelho de hoje, aprenderá por que motivo o Senhor do céu e restaurador do universo penetrou na habitação terrestre dos seus servos. Mas não há por que admirar-se de que ele, tendo vindo misericordiosamente socorrer, se tenha aproximado de todos com bondade.

 

Considerai o que atraiu Cristo à casa de Pedro: não foi certamente o desejo de repousar, mas a enfermidade da doente; não a necessidade de alimentar-se, mas exercer o seu poder divino. Na casa de Pedro não se derramavam vinhos, mas lágrimas. Por isso Cristo ali entrou, não para banquetear-se, mas para restituir a vida. Deus procura homens, e não o que é humano; deseja dar os bens do céu, e não alcançar os da terra. Pois Cristo veio para nos restaurar, não para pedir o que é nosso.

 

Entrando na casa de Pedro, Jesus viu a sogra dele acamada, com febre (Mt 8,14). Cristo, tendo entrado na casa de Pedro, percebeu logo para que viera. Não olhou o aspecto da casa, nem a multidão que acorria, nem as honras com que o saudavam, nem a reunião da família; não prestou atenção ao aparato dos preparativos, mas aos gemidos da enferma e ao ardor da febre. Percebeu o perigo da que já estava desenganada, e imediatamente estendeu a mão para a ação divina. Cristo ainda não tivera tempo de debruçar-se sobre a humanidade da mulher, quando a enferma se levantou para ir ao encontro da divindade. Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou (Mt 8,15). Vede como a febre abandona aquela a quem Cristo segura! Onde estiver presente o autor da salvação não permanece a enfermidade; não haverá acesso para a morte onde houver entrado aquele que dá a vida.

 

Ao anoitecer, levaram a Jesus muitos possessos. Ele expulsou os espíritos pela palavra (Mt 8,16). Ao anoitecer, isto é, quando se conclui a jornada terrestre, quando o mundo se afasta da luz do tempo. Chega à noite aquele que restitui a luz, para dar-nos o dia sem ocaso, aos gentios, que caminhamos na noite deste mundo.

 

Ao anoitecer, isto é, nos últimos tempos, nós gentios, somos oferecidos a Deus pelo sacrifício filial e solene dos apóstolos, sendo afugentados os demônios que tinham poder sobre nós, por causa do culto dos ídolos. Pois, enquanto ignorávamos o Deus único, servíamos a inúmeros deuses em sacrílega e hedionda escravidão.

 

Cristo não veio a nós pela carne, mas pela palavra. Quando a fé veio pela pregação e a pregação, pela palavra (cf. Rm 10,17), ele nos libertou da escravidão dos demônios, reduzindo a prisioneiros aqueles ímpios tiranos. Desse momento em diante os demônios, que nos dominavam, caíram em nossas mãos, submetidos ao nosso controle. Que a nossa infidelidade, irmãos, não nos faça agora voltar a ser seus escravos; mas recomendando-nos, como também as nossas ações, ao Senhor, entreguemo-nos ao Pai e creiamos em Deus. Porque a vida do homem está nas mãos de Deus, que guia como Pai as ações de seus filhos, e não deixa, como Senhor, de cuidar de sua família.

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 23h15
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Jesus: o sentido, o consolo, a vida

O grande dom que Cristo nos faz não são milagres nem curas nem solução de problemas. Deixemos essa visão miserável, mesquinha e pagã para os pagãos e os que enganam e ganham dinheiro e poder em nome de Cristo. Nosso modo de ver é outro, é aquele mesmo que o Cristo nos ensinou e do qual ele mesmo nos deu o exemplo pela sua vida e pela sua morte!

 

O Santo Padre Bento XVI, quando ainda era Cardeal Ratzinger, assim escreveu: “Uma visão do mundo que não pode dar um sentido também à dor e não consegue torná-la preciosa, não serve para nada. Tal visão fracassa exatamente ali, onde deveria aparecer a questão mais decisiva da existência. Aqueles que sobre a dor não têm nada mais a dizer a não ser que se deve combatê-la, enganam-se. Certamente, é necessário fazer tudo para aliviar a dor de tantos inocentes e limitar o sofrimento. Mas, uma vida humana sem dor não existe e quem não é capaz de aceitar a dor, foge daquelas purificações que são as únicas a nos tornar maduros. Na comunhão com Cristo, a dor torna-se plena de significado, não somente para mim mesmo, como processo de purificação, no qual Deus tira de mim as escórias que obscurecem a sua imagem, mas também, para além de mim mesmo, é útil para o todo, de modo que, todos nós podemos dizer como São Paulo: ‘Agora eu me alegro nos sofrimentos que suporto por vós, e completo na minha carne o que falta dos padecimentos do Cristo pelo seu corpo que é a Igreja’ (Cl 1,24)... A vida vai além da nossa existência biológica. Onde não há mais motivo pelo qual vale a pena morrer, também não há motivo que faça valer a pena viver.”

 

Não se esqueça, ao perca o foco: para isso Jesus veio – “foi para isso que eu vim!”, diz o Senhor hoje. Veio para anunciar o Reino e expulsar tudo aquilo que demoniza a nossa existência. E nada nos inferniza mais que viver sem sentido!

 

Não vivamos como os pagãos, que vão sendo levados pela existência, fugindo da realidade e refugiando-se nas ilusões. Quanto excesso de divertimento, de eventos esportivos, de programas turísticos, de sonhos de consumo, de lazer e diversão... Se tudo isso numa justa medida é saudável, com o excesso que hoje se vê, é prejudicial, é sinal de uma humanidade doente, que tem medo de enfrentar as verdadeiras e profundas questões da existência! É que sem uma relação vive e íntima com o Senhor, é impossível enfrentar a nossa dura realidade! É neste sentido que o cristianismo nos apresenta um Evangelho, uma Boa Notícia: porque nos dá o Sentido, que aparece em Cristo Jesus!

 

Abramo-nos para o Senhor; nele apostemos nossa existência e tornemo-nos para os outros sinais de esperança e de vida, como São Paulo que se sentia devedor do Evangelho a todos. Que seja o Senhor Jesus consolo de nosso pranto, força no nosso caminho, alívio de nossas dores e prêmio de vida eterna.

 




Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 20h18
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Nele a nossa vida!

Porque somos apenas pó que o vento leva, porque nossa vida passa depressa como a lançadeira do tear, veio Jesus, nosso Senhor! É isto que o Evangelho nos mostra hoje. Cristo nosso Deus, tomando pela mão a sogra de Pedro e erguendo-a do seu leito, revela que vem nos tomar pela mão – a nós, feridos e doentes de tantas doenças, fraquezas e medos!

 

Este é o Evangelho, a Boa notícia: em Jesus, Deus revela o sentido de nossa existência porque se revela como Deus próximo, Deus de compaixão, Deus capaz de dar um sentido às nossas dores e até à nossa morte. Cristo nos toma pela mão, Cristo toma sobre si as nossas dores. Não precisamos fingir que não envelheceremos, que não adoeceremos, que não morreremos...

 

Sabemos que nem a vida nem a morte nos podem afastar do amor de Cristo; sabemos que nele, tudo se enche de novo sentido... Por isso todos o procuram, porque procuram um sentido para a existência!




Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 20h14
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Pequeno, fugaz, na presença do Eterno

Note, caro Leitor, peregrino como eu nesta vida passageira: num mundo como o nosso, que cultua o corpo, o físico sarado, a saúde e o vigor físicos e presta tão pouca atenção ao sofrimento, à dor, ao fracasso, num mundo que tem medo de pensar na morte e de assumir que todos morreremos, num mundo que não sabe o que fazer com o sofrimento, com a doença, com a decadência física, com a deformidade do corpo, estas palavras de Jó, convidam-nos a colocar os pés no chão. Repito: não são palavras pessimistas, porque aquele que chora e busca o sentido da existência, fá-lo diante de Deus.

 

Observe como terminam as palavras da leitura – são comoventes: “Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade”. São uma oração! O triste na vida não é sofrer, não é chorar, não é morrer... Triste e miserável é sofrer e chorar e morrer sem Deus, sem este Parceiro cheio de doce ternura que dá sentido à nossa existência!

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 20h04
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A fugacidade da vida à luz de Deus

Na liturgia deste Domingo, o livro de Jó, de modo dramático, mostra a vida humana: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como dias de um mercenário? Tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimentos. Se me deito, penso: quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde... Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade”.

 

Eis! Não são palavras negativas, desesperadas, essas de Jó. São, antes, uma reflexão realista sobre o mistério da vida humana, uma reflexão cheia de esperança, porque feita à luz de Deus. Uma coisa é pensar nas realidades negativas de nossa existência simplesmente contando com nossas forças. Que desespero, que desilusão, que vazio de sentido! Outra, bem diferente, é encarar a vida também com suas trevas, à luz de Deus, o Amor eterno e onipotente! Que esperança que não decepciona, que paz que invade o coração, mesmo na dor!



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 19h56
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   Palavra de Deus para o V Domingo Comum - B

Leitura do Livro de Jó (Jó 7,1-4.6-7)

Jó disse: 1“Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os dias de um mercenário? 2Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, 3assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. 4Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer.

6Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança.

7Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!

 

Salmo responsorial (Sl 146)

Louvai a Deus, porque ele é bom

e conforta os corações.

 

Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom,

cantai ao nosso Deus, porque é suave:

ele é digno de louvor, ele o merece!

O Senhor reconstruiu Jerusalém,

e os dispersos de Israel juntou de novo.

 

Ele conforta os corações despedaçados,

ele enfaixa suas feridas e as cura;

fixa o número de todas as estrelas

e chama a cada uma por seu nome.

 

É grande e onipotente o nosso Deus,

seu saber não tem medida nem limites.

O Senhor Deus é o amparo dos humildes,

mas dobra até o chão os que são ímpios.

 

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 9,16-19.22-23)

 

Irmãos: 16Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho! 17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste, então, o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o Evangelho me dá.

19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível.

22Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.

 

Aleluia, aleluia, aleluia (Mt 8,17)

O Cristo tomou sobre si nossa dores,

carregou em seu corpo as nossas fraquezas.

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (Mc 1,29-39)

Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los.

32À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.

35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39E andava por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.



Escrito por Pe. Henrique às 16h18
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   Estudo bíblico-catequético para o V Domingo Cumum - B

1. Tome a primeira leitura:

è Releia atentamente a queixa orante de Jó. Depois, observe os seguintes pontos:

è Jó percebe de modo doloroso a fragilidade da existência: tudo passa, o homem não tem segurança alguma, a vida humana é quase nada!

è Procure na leitura estas idéias; procure compreender as imagens intensas e dramáticas que são usadas: (a) os dias da vida são uma labuta como a do mercenário que trabalha; a vida é um trabalho para o qual o homem é contratado; (b) a vida é sempre um desejar algo mais: uma paz, uma felicidade, uma segurança e realização que nunca são plenas e decepcionam... (c) o homem está sempre insatisfeito: de dia deseja o descanso; à noite, suspira pelo dia; (d) a vida passa depressa; corre ligeira como a lançadeira do tear...

è Diante de uma realidade assim, que pode o homem? Que deve fazer de sua vida? Onde encontrará refúgio para sua pobre e precária existência? A resposta esta no v. 7: se Deus se lembra de nós, nós permaneceremos nele e nossa vida terá consistência eterna.

 

2. Com esses pensamentos, tome o Salmo responsorial:

è Diante de uma vida tão incerta, o homem pode ainda assim cantar, pois o Senhor, que é grande e potente (“Ele fica o número das estrelas e chama a cada uma por seu nome”; “É grande e onipotente o nosso Deus, seu saber não tem limite nem medida”) é suave e bom, ele ampara o homem quando este reconhece sua pobreza e insuficiência.

 

3. Agora, a segunda leitura:

è Para o Apóstolo, o ministério da pregação não deve ser motivo de vanglória, de busca de sucesso ou de prestígio, mas é motivo de gratidão a Deus que o chamou a participar do Evangelho. Pense nesta afirmação: “Pregar o Evangelho é uma necessidade para mim!”

è Tende imaginar o motivo da afirmação de São Paulo... Lembre: quem de verdade experimentou o amor de Jesus, de um modo ou de outro dirá: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho”, se eu não falar do que vi e ouvi! Leia At 4,18-20; 1Jo 1,1-4.

è Qual o salário que São Paulo espera da sua pregação? Leia o v. 18. Eis a resposta: o salário que Paulo espera pela pregação do Evangelho é a graça de poder pregá-lo sempre de novo gratuitamente!

è Segundo o Apóstolo, os pregadores devem ou não receber um salário? Leia o v. 18. Observe que a pregação dá direito a Paulo de receber um salário. Leia também 1Tm 5,17-18; 2Cor 11,9; 1Co 9,9-14. Então: o ministro de Deus tem o direito de viver do sustento da pregação. Paulo renunciou a isso – algumas vezes – livremente, mas sempre reconheceu que o Povo de Deus tem o dever de manter materialmente os que o alimentam espiritualmente.

è Releia os vv. 19-23. Note bem: aquele que é pastor da Igreja ou que dirige um grupo ou comunidade não deve ter a atitude de senhor, mas deve fazer-se tudo para todos, isto é, colocar-se numa atitude de serviço, de quem deseja salvar e ganhar os outros para Cristo. O mesmo vale para os pais e professores cristãos.

è Pense bem nesta expressão impressionante: “Livre em relação a todos, eu me fiz escravo de todos”. Compare com a frase de Jesus em Mc 10,42-45.

è Observe um detalhe importante: Paulo faz-se tudo para todos, mas tem consciência de que não salvará a todos,de que nem sempre terá sucesso: “Com todos eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns”. O servo de Cristo deve estar bem consciente disso, e não se preocupar com o sucesso, mas somente com a fidelidade. Pense naquele verso de um cântico: “Lança a semente na terra, não será em vão! Não te preocupe a colheita; plantas para o irmão!”

 

4. Quanto ao Evangelho, observe:

è Aparecem hoje as misérias humanas (recorde a primeira leitura) diante de Jesus...

è Pense bem: Ainda que não saiba, a humanidade precisa de um salvador: “Todos estão te procurando!” O homem procura ser feliz, procura superar-se, procura a plenitude e a paz, mas quando fá-lo longe de Cristo, somente encontra a desilusão...

è A cura da sogra de Pedro é imagem da situação da humanidade e da ação de Jesus: uma humanidade de cama, febril (quais as nossas febres atualmente?); Jesus se aproxima: não tem medo, não é indiferente (é como o Bom Samaritano – cf. Lc 10,33-34). Segura a mão da enferma e a faz levantar. Leia Is 53,4-6; Mt 8,16-17.

è Observe ainda: A sogra de Pedro, uma vez curada por Jesus, põe-se a servi-lo! Assim é conosco: curados pelo Senhor desde o Batismo, devemos nos colocar a seu serviço em nossa vida!

è Note que Jesus não vem por si: durante seu ministério reza, procura a vontade do Pai: “Foi para isto que eu vim”, ou seja, vim do Pai. E vai descobrindo a vontade do Pai nas noites em oração.

è Jesus nunca terá um lugar estabelecido, nunca para, nunca faz ninho: é peregrino. O Pai é sua pátria; a humanidade é sua herança!



Escrito por Pe. Henrique às 16h16
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As chagas do Salvador

Das homilias de São Bernardo de Claraval (1091-1153), abade cisterciense e doutor da Igreja:

 

 

Onde poderá a nossa fragilidade encontrar repouso e segurança, a não ser nas chagas do Salvador? Trespassaram-Lhe as mãos e os pés, e o lado com um golpe de lança. Destas três chagas abertas jorrou o mel dos rochedos que me sacia (Sl 80,17) e o óleo que corre sobre a dura pedra e me permite «saborear e ver como é bom o Senhor» (Sl 33,9).

 

Ele tinha desígnios de paz (Jr 29,11) e eu não sabia. «Pois quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi o Seu conselheiro?» (Rom, 11,34). Mas a lança que Nele penetrou veio a ser para mim a chave que abriu o mistério dos Seus desígnios.

 

Como posso deixar de ver por estas aberturas? Os pregos e as chagas clamam que, na pessoa de Cristo, Deus Se reconcilia verdadeiramente com o mundo. O ferro trespassou-Lhe a carne e tocou-Lhe o coração, a fim de que Ele Se compadecesse das minhas fraquezas. O segredo do Seu coração aparece a nu nas chagas do Seu corpo; vemos a descoberto o grande mistério da Sua bondade, dessa misericordiosa ternura do nosso Deus, dessa luz que veio visitar-nos do alto (Lc 1,78).

 

E como pode semelhante ternura não se manifestar nas Suas chagas? Como haverias de mostrar com mais clareza do que através das chagas que Tu, Senhor, és doce e compassivo e de grande misericórdia, uma vez que não há maior amor do que dar a vida (Jo 15,13) por condenados à morte?

 

O meu mérito reside, pois, todo ele, na piedade do Senhor, e não me faltará o mérito enquanto Lhe não faltar a piedade. Se as misericórdias do Senhor se multiplicarem, numerosos serão os meus méritos. E que me acontecerá, se tiver de me acusar de múltiplas faltas? «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5,20). E, se «a graça do Senhor dura para sempre» (Sl 102,17), por mim, «hei de cantar para sempre o amor do Senhor» (Sl 88,2). É essa a minha justiça? Senhor, só da Tua justiça me recordarei; é ela a minha justiça, pois Tu Te tornaste para mim justiça de Deus (Rm 1,17).

 

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h29
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O Precursor

Das Homilias de São Beda, o Venerável (673-735), monge e doutor da Igreja:

 

Não há qualquer dúvida de que São João Batista sofreu a prisão pelo nosso Redentor, que precedeu pelo seu testemunho, de que foi por Ele que deu a vida. O seu perseguidor não lhe pediu para negar Cristo, mas para calar a verdade, Contudo, foi por Cristo que morreu. Com efeito, Cristo disse acerca d'Ele mesmo: «Eu sou a verdade» (Jo 14,6). Se pela verdade derramou o seu sangue, então foi por Cristo. Nascendo, João testemunhou que Cristo iria nascer; pregando, testemunhou que Cristo iria pregar; batizando, que Ele iria batizar. Sofrendo primeiro a sua Paixão, significou que o próprio Cristo a sofreria.

 

Este homem tão grande chegou, então, ao fim da sua vida pelo derramamento do seu sangue, depois de um longo e penoso cativeiro. Ele, que anunciou a boa nova da liberdade de uma paz superior, foi lançado na prisão pelos ímpios. Foi fechado na obscuridade de um cárcere, ele que veio para dar testemunho da luz. Pelo seu próprio sangue é batizado aquele a quem foi dado batizar o Redentor do mundo, ouvir a voz do Pai dirigindo-se a Cristo, e ver descer sobre Ele a graça do Espírito Santo.

 

O apóstolo Paulo efetivamente disse-o: «Porque a vós vos é dado por Cristo, não somente que creais n'Ele, mas ainda que por Ele padeçais» (Fl 1,29). E, se disse que sofrer por Cristo é um dom dos Seus eleitos, é porque, como diz noutra parte: «Tenho como coisa certa que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rm 8,18).

 




Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 16h34
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   Oremus pro Papa nostro Benedicto!

V: Oremos pelo nosso Papa Bento.

 

R: Que Deus o preserve, lhe dê longa vida,

e o torne bem-aventurado sobre a terra

e não permita que sucumba à vontade de seus inimigos.

 

V: Tu és Pedro!

R: E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

 

(Pai-Nosso, Ave-Maria)

 

 

Ó Deus, Pastor e Guia de todos os fiéis,

olhai misericordiosamente para vosso servo Bento,

que escolhestes como pastor da vossa Igreja.

Dai-lhe, vo-lo suplicamos,

edificar com a palavra e o exemplo os que governa:

para que, com o rebanho que lhe foi confiado,

alcance a vida eterna.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 



Escrito por Pe. Henrique às 02h30
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   A palavra do Vaticano sobre os lefebvrianos...

Caro Internauta, aqui a nota da Secretaria de Estado do Vaticano sobre a tola e artificial polêmica em torno da suspensão da excomunhão dos Bispos lefebvrianos. A Nota é clara e somente não a compreende quem não quiser...:

 

1. Remissão da excomunhão

Como já foi publicado anteriormente, o Decreto da Congregação para os Bispos, dado em 21 de janeiro de 2009, foi um ato com o qual o Santo Padre vai benignamente ao encontro das reiteradas petições por parte do superior geral da Fraternidade São Pio X.

 

Sua Santidade quis tirar um impedimento que prejudicava a abertura de uma porta ao diálogo. Agora espera que a mesma disponibilidade seja expressa pelos quatro bispos, em total adesão à doutrina e à disciplina da Igreja.

 

A gravíssima pena da excomunhão latae sententiae, na qual tais bispos haviam incorrido em 30 de junho de 1988, declarada depois formalmente em 1º de julho do mesmo ano, era uma consequência de sua ordenação ilegítima por parte de Dom Marcel Lefebvre.

 

O levantamento da excomunhão libertou os quatro bispos de uma pena canônica gravíssima, mas não mudou a situação jurídica da Fraternidade São Pio X, que por enquanto não goza de reconhecimento algum na Igreja Católica. Tampouco os quatro bispos, ainda que liberados da excomunhão, têm uma função canônica na Igreja, e não exercem licitamente um ministério nela.

 

2. Tradição, doutrina e Concílio Vaticano II

Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X, é condição indispensável o reconhecimento pleno do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI.

 

Como já se afirmou no Decreto de 21 de janeiro de 2009, a Santa Sé não deixará, da forma que julgar oportuna, de aprofundar com os interessados nas questões ainda abertas, de modo que se possa chegar a uma plena e satisfatória solução dos problemas que deram origem a esta dolorosa fratura.

 

3. Declarações sobre a Shoá

As posturas de Dom Williamson sobre a Shoá são absolutamente inaceitáveis e firmemente rejeitadas pelo Santo Padre, como ele mesmo recordou em 28 de janeiro passado, quando, referindo-se àquele selvagem genocídio, reafirmou sua plena e indiscutível solidariedade com nossos irmãos destinatários da Primeira Aliança, e afirmou que a memória daquele terrível genocídio deve induzir a «humanidade a refletir sobre o poder imprevisível do mal quando conquista o coração do homem», acrescentando que a Shoá permanece «para todos como advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo, porque a violência feita contra um só ser humano é violência contra todos».

 

O bispo Williamson, para ser admitido nas funções episcopais na Igreja, deverá também tomar, de modo absolutamente inequívoco e público, distância de suas posturas sobre a Shoá, desconhecidas pelo Santo Padre no momento da remissão da excomunhão.

 

O Santo Padre pede o acompanhamento, na oração, de todos os fiéis, para que o Senhor ilumine o caminho da Igreja. Que cresça o empenho dos pastores e de todos os fiéis em apoio à delicada e pesada missão do sucessor do apóstolo Pedro como «guardião da unidade» da Igreja.

 

No Vaticano, a 4 de fevereiro de 2009

 

 


Bento XVI na sinagoga de Nova Iorque:
dos judeus esperamos respeito!



Escrito por Pe. Henrique às 02h20
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Cristo, único caminho da humanidade

Da Encíclica “E supremi apostolatus”, de São Pio X, papa de 1903 a 1914:

 

«Ninguém pode por outro fundamento diferente do que foi posto, isto é, Jesus Cristo» (1Cor 3,11), Ele «a Quem o Pai santificou e enviou ao mundo» (Jo 10,36), «esplendor da Sua glória e imagem da Sua substância» (Hb 1,3), verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem Quem ninguém pode conhecer perfeitamente a Deus, porque «ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar» (Mt 11,27).

 

Donde se segue que «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas» (Ef 1,10) e fazer regressar os homens à obediência a Deus são uma e a mesma coisa. É por isso que o objetivo para o qual devem convergir todos os nossos esforços consiste em fazer regressar o gênero humano à soberania de Cristo. Desse modo, o homem será, por isso mesmo, reconduzido a Deus: não a um Deus inerte e despreocupado das realidades humanas, como imaginaram certos filósofos, mas a um Deus vivo e verdadeiro, em três Pessoas, na unidade da Sua natureza, Criador do mundo, que estende a todas as coisas a Sua providência infinita, justo doador da lei, que julgará a injustiça e garantirá à virtude a sua recompensa.

 

Ora, onde se encontra a via que nos dá acesso a Jesus Cristo? Está diante dos nossos olhos: é a Igreja. Com razão nos diz São João Crisóstomo: «A Igreja é a tua esperança, a Igreja é a tua salvação, a Igreja é o teu refúgio.» Foi para isso que Cristo a estabeleceu, depois de a ter adquirido pelo preço do Seu sangue. Foi para isso que lhe confiou a Sua doutrina e os preceitos da Sua Lei, prodigalizando-lhe ao mesmo tempo os tesouros da Sua graça, para a santificação e a salvação dos homens.

 

Vede, pois, veneráveis irmãos, a obra que nos foi confiada nada mais pretender do que a todos formar em Jesus Cristo. Trata-se da mesma missão que Paulo atestava ter recebido: «Filhinhos meus, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós» (Gl 4,19). Ora, como havemos de cumprir semelhante dever, se não estivermos primeiramente «revestidos de Cristo» (Gl 3,27)? E revestidos a ponto de podermos dizer: «Para mim, o viver é Cristo» (Fl 1,21).

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 21h45
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Ser cristão é crime, na Inglaterra

Leia e pense, caro Internauta: onde o Ocidente vai parar? Onde a humanidade vai parar?

 

Uma enfermeira cristã batista, suspensa por oferecer-se para rezar por uma paciente, recebeu nesta segunda-feira um grande apoio por parte de organizações médicas e religiosas, assim como dos pacientes do hospital e dos capelães de hospitais, segundo informava nesta terça-feira o jornal britânico Daily Mail.

 

Enquanto os capelães pediam novas orientações para o sistema nacional de saúde, em relação à atenção espiritual aos pacientes, o Christian Medical Fellowship disse que a destituição de Caroline Petrie chegava a ser «discriminação religiosa».

 

A Sra. Petrie, cristã comprometida, de 45 anos, enfrenta uma ação disciplinar após ser acusada de não cumprir um compromisso de igualdade e diversidade. Poderia ser despedida depois de perguntar a uma paciente idosa se queria que rezasse por ela.

 

A paciente, May Phippen, de 79 anos, não se sentiu ofendida, mas comentou a outra enfermeira que achava estranho, e que podia ser ofensivo para outros pacientes.

 

A Sra. Petrie, com dois filhos, disse que sua oferta de oração era seu modo de dizer “que melhore”. Disse: “Não penso que fiz nada errado. Só procurei fazer com que a paciente soubesse que eu pensava nela. É meu modo de dizer ‘desejo melhoras’”.

 




Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 20h41
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   Ah! Lagoas! - VI

7. A Lagoa das Barreiras

É esta natureza tão bela que o Senhor deu aos alagoanos como herança. Por isso somos Alagoas, Paraíso das Águas...



Escrito por Pe. Henrique às 01h09
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   Ah! Lagoas! - V

5. A Lagoa da Anta


6. A Lagoa de Jacarecica



Escrito por Pe. Henrique às 01h05
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   Ah! Lagoas! - IV

4. A Lagoa de Jequiá



Escrito por Pe. Henrique às 01h01
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   Ah! Lagoas! - III

3.  A Lagoa do Roteiro



Escrito por Pe. Henrique às 00h56
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   Ah! Lagoas! - II

2. A Lagoa Manguaba




Escrito por Pe. Henrique às 00h52
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   Ah! Lagoas! - I

Peço licença a você, meu Leitor, para uma pequena manifestação pessoal (não gosto muito disso). Quero mostrar um tiquinho da minha Alagoas... Deu-me vontade. Fazer o quê? Lá vai, um pouquinho da minha terra!

Deus deu ao meu Estado um litoral encantador - é lindo! E não é bairrismo bobo não: é somente emoção e gratidão a Deus pelo que seus dedos traçaram na nossa costa litorânea! Como se não bastasse o litoral com 230 km de praias paradisíacas e os 200 km de Rio São Francisco, minha Alagoas ainda foi contemplada com 19 belas lagoas (Lagoa da Anta, Lagoa Azeda, Lagoa Mundaú, Lagoa Manguaba, Lagoa de Jequiá, Lagoa do Roteiro, Lagoa Guaxuma, Lagoa Doce, Lagoa Vermelha, Lagoa Comprida, Lagoa dos Patos, Lagoa do Mangue, Lagoa do Pau, Lagoa do Taboado, Lagoa de Jacarecica, Lagoa do Niquim, Lagoa Escura, Lagoa de Tabuleiro e Lagoa das Barreiras). Foram elas a maior inspiração para dar nome ao Estado. Eis umas fotografias de algumas delas, todas namorando o mar...

 

1. A Lagoa Mundaú:

 

 

 

 



Escrito por Pe. Henrique às 00h47
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A vida escondida de Cristo

Das Meditações de São Boaventura (1221-1274), Bispo e doutor da Igreja:

 

O Senhor Jesus, regressando do Templo e de Jerusalém a Nazaré com seus pais, morou com eles até à idade de trinta anos «e era-lhes submisso» (Lc 2,51). Não se encontra nas Escrituras o que é que Ele fez durante todo este tempo, o que parece bastante surpreendente. Mas, se olharmos com atenção, veremos claramente que, não fazendo nada, fazia maravilhas. Cada um dos Seus gestos revela, com efeito, o Seu mistério. E, como agia com poder, também Se calou com poder, permanecendo recolhido na obscuridade com poder. O Mestre soberano, que nos vai ensinar os caminhos da vida, começa desde a Sua juventude a fazer obras de poder, mas de uma forma surpreendente, incógnita e inconcebível, parecendo aos olhos dos homens inútil, ignorante, e vivendo no opróbrio.

 

Ele apreciava cada vez mais esta maneira de viver, a fim de ser julgado por todos como um ser pequeno e insignificante; isto fora anunciado pelo profeta, que dissera em seu nome: «Eu sou um verme e não um homem» (Sl 21,7). Vês portanto o que Ele fazia, não fazendo nada. Tornava-se desprezível; acreditas que isso era pouca coisa? Seguramente, não era Ele que tinha necessidade disso, mas nós. Não conheço nada mais difícil nem mais grandioso. Parece-me que chegaram ao mais alto grau aqueles que, de todo o seu coração e sem fingimento, se possuem suficientemente para não procurarem nada de outrem senão ser desprezados, não contar para nada e viver num abaixamento extremo. É uma vitória maior que a tomada de uma cidade.

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h44
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O Vencedor da nossa morte

Das homilias de São João Crisóstomo (345-407), Bispo e doutor da Igreja:

 

«Ao chegar à casa do chefe da sinagoga, encontrou grande alvoroço e gente a chorar e a gritar. Entrando, disse-lhes: «Por que todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu, está dormindo». Mas zombavam Dele. Assim nos ensina Jesus a não temer a morte, porque não é uma verdadeira morte: de agora em diante, não é mais do que um sono. E, como Ele próprio ia morrer, prepara os seus discípulos, ressuscitando outras pessoas, para que tenham confiança Nele e não se assustem quando Ele morrer. Porque, desde a vinda de Cristo, a morte tornou-se apenas um sono.

 

No entanto, zombavam Dele; mas Ele não se indignou com esta falta de confiança no milagre que ia operar; não lhes censurou os sorrisos, para que esses mesmos sorrisos, tal como as flautas e os restantes preparativos, tornassem bem óbvia a morte da menina. Vendo, pois, os músicos e a multidão, Jesus fê-los sair a todos; e fez o milagre na presença dos pais, como se a acordasse do sono.

 

É evidente que, agora, a morte já não é mais que um sono; hoje, esta é uma verdade mais brilhante do que o sol. «Mas explica-me por que não ressuscitou Jesus o meu filho!» Pois não, mas ressuscitá-lo-á, e em muito maior glória. Porque esta menina, que fez regressar à vida, morreu de novo, enquanto que o teu filho, quando Ele o ressuscitar, permanecerá imortal. Portanto, que mais ninguém chore, nem se lamente, nem critique a obra de Cristo. Porque Ele venceu a morte. Por que derramas lágrimas inúteis? A morte tornou-se num sono: por que gemer e chorar?

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h11
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O mistério da Apresentação do Senhor

Caro Leitor, a Festa da Apresentação do Senhor, que a Igreja hoje celebra, é de muito rico significado. Eis alguns:

 

1. Hoje, o Messias, Filho de Davi, entra pela primeira vez na Cidade Santa, a Cidade de Davi, cidade messiânica por excelência: é o encontro do Messias com a sua Cidade. Neste sentido, esta Festa é como que uma antecipação do Domingo de Ramos. Nas antífonas do Ofício das Leituras, este aspecto é recordado: “Radiante de esplendor, põe-te de pé: despontou a tua luz, Jerusalém, e a glória do Senhor te iluminou!” ou ainda: “De alegria exulta, ó nova Sião! Eis que vem o teu Rei, humilde e bondoso, salvar o seu povo”. É importante recordar que Jerusalém é imagem da Igreja, a nova Sião, que acolhe o Messias, seu Rei, seu Senhor, seu Esposo: “Sião, enfeita o teu quarto nupcial e recebe o teu Rei, Cristo Jesus, que a Virgem concebeu e deu à luz, e, conservando a virgindade após o parto, adorou aquele mesmo a quem gerou!”

 

2. Se o Messias entra em Jerusalém pela primeira vez, essa visita concentra-se no Templo, também imagem da Igreja. E este é o aspecto mais presente na liturgia: “O Senhor vem a seu Templo: vinde, adoremos!”; “Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade, em meio ao vosso Templo!” A primeira leitura da Missa, tirada do profeta Malaquias (3,1-4), recorda que o Messias deveria visitar aquele Templo de Jerusalém, suntuoso no tempo de Salomão e reconstruído tão modesto logo após o Exílio de Babilônia: vai entrar nele o Dominador, o Anjo da Aliança; por isso esse Templo é cheio de glória! Na entrada de Jesus no Templo, dois mistérios se cumprem: Deus realiza o que havia prometido pelos profetas: envias o Messias a Israel – e agora ele é apresentado oficialmente no Templo, centro da religião judaica; por outro lado, esse Templo é imagem da Igreja. Assim, o Esposo vem até a Esposa. Eis um dos motivos da procissão com velas no início da Missa: a Igreja, como virgem prudente, vigia para acolher seu Esposo com lâmpadas acesas: lâmpadas do amor, da fé, da esperança! E este que vem é “luz para iluminar as nações” – como dirá Simeão -, as nações chamadas, pelo Batismo a entrarem na Igreja Esposa de Cristo, Jerusalém nossa Mãe.

 

3. Hoje, o Menino, como primogênito, é apresentado a Deus, cumprindo a Lei de Moisés – “Todo macho que abre o útero materno será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2). O Filho eterno, Autor da Lei, submete-se à Lei para nos libertar do julgo da Lei! É o mistério da humilhação e da obediência de Cristo, sempre presente no seu caminho, e que culminará na cruz, morte e sepultura.

 

4. Um outro aspecto tocante nesta Festa: Simeão e Ana representam o Antigo Testamento: idosos eles esperam a promessa do Senhor; eles vivem da Esperança de Israel. Pois bem, não foram desiludidos na sua certeza. Podemos imaginar o velho Simeão tomando o Menino; podemos quase ver seu rosto iluminando-se; podemos vislumbrar sua emoção e gratidão a Deus: “Podes deixar, Senhor, o teu servo partir em paz! Meus olhos viram a tua Salvação!” É quase como se o Antigo Testamento dissesse: “Pronto! Cumpri minha missão; tudo quanto trazia em mim de promessa agora se realiza!”

 

5. O Menino-Messias que Simeão toma nos braços é glória de Israel, é o cumprimento das promessas feitas aos Pais. Mas é também luz para todas as nações da terra: ele vem para a humanidade toda, ele vem abrir o Antigo Israel para o mistério do Novo Israel, que é a Igreja, Novo Povo de Deus – este é o outro motivo das velas na procissão que antecede a Missa de hoje: o Menino é Luz; a Virgem traz nos braços a Luz do mundo! No entanto, isto não acontecerá sem dor, sem a cruz. Por isso o mistério da contradição e a espada que traspassará o coração da Mãe! Não há salvação sem participação na cruz, não há remissão dos pecados sem efusão de sangue, como diz a Epístola aos Hebreus!

 

6. Um outro aspecto é a Virgem Maria. Com José, ela traz tudo quanto possui, seu Tesouro, o Filho primogênito, para consagrá-lo ao Senhor. E Simeão avisa: o Senhor aceitou a oferta. Este Menino hoje apresentado a Deus no Monte Moriá – o Monte do Templo – será imolado no Monte Calvário. Como não recordar aqui o dramático sacrifício de Abraão: ali mesmo, no Monte Moriá, o Senhor Deus poupou o filho de Abraão! É que no seu lugar, Deus estava preparando o seu Filho, filho de Maria, para ser sacrificado no lugar da descendência de Abraão! “Deus providenciará a vítima para o sacrifício!” – Hoje cumpriu-se essa palavra... E o Deus que poupou o filho de Abraão, não poupou o seu Filho, não poupou o filho de Maria! E quando chegar a hora do Monte Calvário, ela estará ali, com uma fé maior que a de Abraão, de pé, como Virgem Fiel, como Torre de Davi!

 

Estes são alguns dos aspectos desta Festa. Haveria outros ainda... Admiremos e adoremos a sabedoria do Senhor, que com admirável economia (economia, em teologia, é a ação de Deus na história da salvação), conduz a humanidade à graça da salvação!

 

 

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 16h03
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A Santa Sé e os lefebvrianos

Meu caro Leitor, alguns internautas têm perguntado pela questão dos lefebvrianos. O que posso informar com relativa segurança é o seguinte:


Dom Lefebvre: algumas preocupações legítimas,
algumas opiniões teológicas tortas e várias decisões erradas...

 

1. Está num processo avançado o diálogo entre o grupo de tradicionalistas lefebvrianos e a Santa Sé. Ao que tudo indica, toda a Fraternidade São Pio X voltará à comunhão efetiva com a Sé de Pedro e será constituída em prelazia pessoal, como o Opus Dei.

 

2. E as condições? Eles terão que aceitar o Concílio Vaticano II. Este ponto é indispensável e inegociável. O diálogo entre a Sé Apostólica e os tradicionalistas é no sentido de aprofundar o sentido das afirmações conciliares e dirimir-lhes as dúvidas: a verdade na caridade.

 

3. Um refrão cantado até o enfado pelos tradicionalistas é que o Vaticano II não é um Concílio dogmático e, portanto, não tem a autoridade de obrigar os fiéis a acatá-lo. A afirmação é totalmente torta, coisa de quem sequer sabe direito o que é um concílio ecumênico. Nenhum concílio é totalmente dogmático ou totalmente pastoral. Qualquer concílio legítimo e válido – e o Vaticano II o é plenamente, pois foi convocado pelo Papa e por ele aprovado – é sujeito de Magistério supremo e autêntico (isto é, com a autoridade dada por Cristo) para toda a Igreja. A autoridade do Vaticano II não é nem maior (como querem os progressistas tresloucados) nem menor (como querem os tradicionalistas obtusos) que a dos outros concílios; é exatamente igual! Um concílio é infalível? É, nas coisas em que se pronuncia de modo infalível, e só naquelas coisas. Por exemplo: o Concílio de Trento tem elementos infalíveis e elementos não infalíveis: quando ensina que o matrimônio é indissolúvel, é infalível; quando diz que os párocos devem pregar nas missas domincais e festiva, não é infalível! Um concílio tem autoridade para legislar para toda a Igreja? Todo concílio ecumênico possui plena autoridade e deve ser obedecido com religioso obséquio da inteligência e da vontade pelos católicos verdadeiros e sinceros.

 

4. Tudo quanto a Santa Sé puder fazer para trazer os lefebvrianos à comunhão plena da Igreja ela fará. Mas, há alguns elementos do Vaticano II que são indispensáveis para tal comunhão. Exemplos? A doutrina do Concílio sobre a liberdade religiosa, a visão conciliar a respeito do ecumenismo, a doutrina sobre a sacramentalidade do Episcopado e a colegialidade episcopal. Estes elementos são parte da doutrina católica na sua justa, sã e natural evolução. Quem deles se aparta, aparta-se do “sentir com a Igreja” que é característica irrenunciável do verdadeiro católico. Então, que espaço pode haver para o diálogo com os tradicionalistas lefebvrianos? O espaço de fazê-los compreender que estas doutrinas, quando bem compreendidas, em nada contradizem a constante e melhor Tradição da Igreja. Todas estas doutrinas podem ser compreendidas de modo absolutamente ortodoxo!

 

5. Agora, é rezar e esperar que tudo se conclua bem. Vamos ver! Bento XVI tem se mostrado realmente comprometido com a unidade da Igreja e a causa ecumênica e busca fazer tudo, no limite do possível, para recompor a unidade visível entre os cristãos. Rezemos pelo Santo Padre.

 

6. Uma última coisa. Um problema sério entre os tradicionalistas é que eles são exatamente como os protestantes: (1) São tão fundamentalistas na leitura dos textos do Magistério quanto um pentecostal com os textos da Escritura. Isto gera uma leitura torta, desequilibrada e errônea, de dar pena; (2) Como com os fundamentalistas protestantes, é muito difícil discutir com os fundamentalistas tradicionalistas, porque apegam-se a minúcias insignificantes, tiradas do seu contexto, infladas e, por vezes, deturpadas no seu sentido genuíno; (3) Exatamente como os protestantes fazem com as Santas Escrituras, eles se metem a fazer um “livre exame” dos textos do Magistério. Como dá dó ver um protestante que de exegese não compreende nada metendo-se a querer ensinar Sagrada Escritura, dá pena ver alguns tradicionalistas metendo-se a comentar “doutamente” os textos do Magistério. Recebo muitas mensagens desses por e-mail, mas não respondo nem levo a sério porque não vale a pena; rio e apago: não se pode explicar a um cego de nascença o que é o amarelo, sobretudo quando ele pensa que é um especialista em cores! (4) Como os protestantes, por causa do fundamentalismo e do livre exame, também os tradicionalistas são indisciplinados (não há uma autoridade que fale por todos). Quem viver, verá: mesmo que a Fraternidade São Pio X volte à plena comunhão com Roma, certamente haverá alguns sacerdotes tradicionalistas que dirão que a Fraternidade traiu a verdadeira Tradição católica e continuarão empedernidos no cisma!

 

7. O que Bento XVI está fazendo é aquilo que deveria ter sido feito no início da Reforma protestante: o diálogo paciente, para evitar que o cisma se cristalize e endureça ir em busca da ovelha perdida até que a encontre – eis a missão do Pastor! E não é fácil, nem com os protestantes fundamentalistas da Sagrada Escritura nem com os protestantes fundamentalistas da Tradição!


O Bispo Superior da Fraternidade São Pio X:
diálogo com a Sé Apostólica



Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 14h37
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Ver Jesus, ter Jesus nos braças, descansar em Jesus

Das Homilias sobre o Evangelho de São Lucas, de Orígenes, presbítero:

 

Simeão, piedoso e justo, como diz o Evangelho, esperava a consolação do povo de Israel. Pelo próprio Espírito Santo, ele teve uma revelação divina de que não morreria sem ver o Cristo Senhor (cf. Lc 2,25.26).

 

Poderíamos perguntar em que se beneficiou ele por ter visto a Cristo. Fora-lhe prometido somente vê-lo, sem que esta visão lhe trouxesse algo de salutar, ou esta promessa esconderia um presente digno de Deus, que Simeão mereceu receber?

 

Certa mulher foi curada por ter apenas tocado a franja da veste de Jesus! Se ela se beneficiou de tal favor, que pensar de Simeão, que recebeu o menino nos braços? Feliz de tê-lo nos braços, alegrava-se ao pensar que sustentava o que viera libertar os cativos, e também a ele dos laços de seu corpo. Sabia que ninguém pode libertar um outro da prisão do corpo com a esperança da vida futura, a não ser aquele que tinha em seus braços. Por isso ele diz: Agora, Senhor, deixa teu servo ir em paz (cf. Lc 2,29), pois estava prisioneiro e não podia libertar-se de seus laços, enquanto não tinha Cristo em seus braços. Note-se, todavia, que isto é válido não somente para Simeão, mas para todo o gênero humano. Se alguém deixa este mundo e quer conquistar o Reino, tome Jesus nas mãos, envolva-o em seus braços, aperte-o contra o peito e então poderá dirigir-se velozmente para onde deseja!

 

Considera tudo o que precedeu o momento em que Simeão teve a ventura de carregar o Filho de Deus. Recebeu primeiramente a revelação do Espírito Santo, de que não veria a morte antes de ter visto o Cristo Senhor. Em seguida, não foi por acaso nem totalmente sozinho que entrou no Templo; mas veio impelido pelo Espírito Santo. E todos aqueles que o Espírito Santo anima, são filhos de Deus. É, pois, o Espírito Santo que os leva ao Templo. Se tu também queres ter Jesus, abraçá-lo em teus braços e tornar-te digno de sair da prisão, esforça-te por te deixares conduzir pelo Espírito, para alcançares o templo de Deus. Ora, já te encontras no templo do Senhor Jesus, isto é, na Igreja, seu templo construído de pedras vivas.

 

Se vens impelido pelo Espírito, encontrarás o Menino Jesus, tomá-lo-ás em teus braços, e dirás: Agora, Senhor, segundo a tua promessa, deixa teu servo ir em paz. Observa, de passagem, que a libertação e o ponto de partida acompanham-se da paz. E quem morre em paz, senão aquele que tem a paz de Deus que ultrapassa toda compreensão e guarda o coração de quem a possui? Quem é que se retira em paz deste mundo, senão aquele que compreende que Deus veio, em Cristo, reconciliar-se com o mundo?

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 14h30
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Cristo, a Luz

Dos Sermões do Beato Guerric d'Igny (1080-1157), abade cisterciense:

 

Eis, meus irmãos, entre as mãos de Simeão, um círio aceso. Acendei também, nesta luminária, os vossos círios, lâmpadas que o Senhor vos ordena que segureis, acesas, em vossas mãos (cf. Lc 12,35). «Aqueles que O contemplam ficam iluminados» (Sl 33,6); aproximai-vos, pois, de maneira a serdes, mais que meros portadores de velas, luzes que brilham no interior e no exterior, para vós mesmos e para o próximo.

 

Que haja, portanto, uma vela acesa no vosso coração, na vossa mão, na vossa boca! Que a lâmpada que tendes no coração brilhe para vós mesmos, que a lâmpada que tendes na mão e na boca brilhe para o vosso próximo. A lâmpada que tendes em vosso coração é a devoção inspirada pela fé; a lâmpada que tendes em vossa mão, o exemplo das boas obras; a lâmpada na vossa boca, a palavra que edifica. Porque não devemos contentar-nos em ser luzes aos olhos dos homens por nossos atos e palavras, pois é preciso também que brilhemos diante dos anjos, com a oração, e diante de Deus, com as nossas intenções. A nossa lâmpada diante dos anjos é a pureza da devoção que nos faz cantar com recolhimento ou rezar com fervor, na sua presença. A nossa lâmpada diante de Deus é a resolução sincera de agradar unicamente Àquele diante de Quem encontramos a graça.

 

Assim, a fim de acendermos todas estas lâmpadas, deixai-vos iluminar, irmãos, aproximando-vos da fonte da luz, Jesus, que brilha nas mãos de Simeão. Ele quer, seguramente, iluminar a vossa fé, fazer resplandecer as vossas obras, inspirar-vos palavras para dizerdes aos homens, encher-vos de fervor na oração e purificar as vossas intenções. E, quando a lâmpada desta vida se extinguir, vereis a luz da vida que não se extingue levantar-se e elevar-se na noite como o esplendor da luz do meio-dia.

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h07
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A autoridade do Senhor Jesus

Do Comentário ao Evangelho de São Marcos, de São Jerónimo (347-420), presbítero e doutor da Igreja:

 

«Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito.» É esta a sua maneira de exprimir a sua dor: sacudindo-o com violência. Uma vez que não podia alterar a alma do homem, o demônio exerceu a sua violência no corpo dele. Estas manifestações físicas eram, aliás, o único meio que tinha à sua disposição para demonstrar que estava saindo. Tendo o espírito puro manifestado a sua presença, o espírito impuro bate em retirada.

 

«Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto?»» Olhemos para os Atos dos Apóstolos, e para os sinais que os primeiros profetas nos deram. Que dizem os magos do Faraó perante os prodígios de Moisés? «Está aí o dedo de Deus» (Ex 8,15). É Moisés que os realiza, mas eles reconhecem o poder de outrem. Posteriormente, os apóstolos fizeram outros prodígios: «Em nome de Jesus, levanta-te e anda!» (At 3,6); «E Paulo disse ao espírito: «Ordeno-te, em nome de Jesus Cristo, que saias desta mulher»» (At 16,18). O nome de Jesus é sempre citado.

 

Mas aqui, que diz Ele? «Sai desse homem», sem mais pormenores. É em Seu próprio nome que Ele ordena ao espírito que saia. «Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: ‘Que é isto? Eis um novo ensinamento’». A expulsão do demônio não tinha em si nada de novo: os exorcistas dos hebreus faziam-no frequentemente. Mas que diz Jesus? Qual é este ensinamento novo? Onde está então a novidade? É que Ele impõe-Se com a Sua própria autoridade aos espíritos impuros. Ele não cita ninguém: é Ele próprio que dá as ordens; Ele não fala em nome de ninguém, mas sim com a Sua própria autoridade.

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 13h02
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O Mestre, o Salvador

Das Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, de São João Crisóstomo, Bispo e Doutor da Igreja:

 

Entraram em Cafarnaum. No sábado, Jesus foi à sinagoga e pôs-se a ensinar. Todos ficavam admirados com seu ensinamento (cf. Mc 1,21-22). Sem dúvida, perturbava-os a gravidade das palavras e se surpreendiam com a sublimidade dos preceitos; tal era a força do Mestre que fascinava a muitos, levando-os a grande admiração e persuadindo-os, pelo prazer de escutá-los, a não se afastarem dele ao terminar o discurso. Nem mesmo depois que desceu do monte os ouvintes se afastaram, mas toda a multidão os seguiu, tal amor lhes inspirava a sua doutrina. Porém admiravam mais ainda a sua autoridade.

 

Realmente não falava repetindo palavras de outrem, como os profetas a Moisés, mas por sua própria autoridade. Pois, muitas vezes, ao citar a lei, acrescentava: Eu, porém, vos digo (cf. Mt 5,22); e, reafirmando o dia do Juízo, mostrava que seria o Juiz, tanto para o castigo como para o prêmio. Por isso, era evidente que ficassem perturbados.

 

Se os escribas que haviam visto seu poder pelas obras investiram contra ele e o expulsaram, como não causariam perplexidade as suas palavras, pronunciadas antes de manifestar o seu poder de modo visível? Contudo, não se escandalizavam: quando o espírito é bom e sábio, aceita facilmente o ensinamento da verdade. Os fariseus levantaram-se contra ele, embora os milagres lhe proclamassem o poder; mas estes, ao contrário, se submetiam a ele e o seguiam, ouvindo-lhe apenas as palavras. O evangelista dizia expressamente: “Grandes multidões o acompanhavam” (Mt 8,1). Não só, portanto, alguns dos chefes e escribas, mas todos aqueles nos quais não havia malícia e possuíam um coração sincero.

 

Em todo o Evangelho deparamos sempre com esse tipo de seguidores. Quando o Mestre falava, escutavam-no em silêncio, sem interrompê-lo ou perturbar-lhe o discurso, sem procurar ocasião de apanhá-lo em falso, como faziam os fariseus; e, quando acabava de falar, seguiam-no cheios de admiração.

 

Queria que considerásseis comigo a prudência do Senhor, usando de métodos diversos para a utilidade dos ouvintes: ora passa dos milagres às palavras e ora das palavras aos milagres. De fato, antes de subir ao monte, curara muitos, preparando o caminho para o que ia dizer-lhes. E, terminado seu longo discurso, volta de novo aos milagres, confirmando com fatos as palavras. Pois ele os ensinava como alguém que tem autoridade (cf. Mc 1,22). E, para que esse modo de ensinar não parecesse pompa ou ostentação, manifesta-se imediatamente pelas obras: cura as doenças como quem tem poder, a fim de que, ao vê-lo realizar tais milagres, já não ficassem perturbados pelos seus ensinamentos.

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h39
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